A Expressão Transmontana em Trusses.

A “Lenda do Gigante do Marão”

Lenda do Gigante do Marão
Trago-vos uma lenda que encontrei a ler um livro – uma complicação de histórias – chamado “Vila Real História ao Café”. Nunca das páginas encontrei uma referência a esta lenda, a “Lenda do Gigante do Marão”.

Fiz uma pesquisa rápida pela internet, a ver se encontrava mais alguma referência à lenda. E encontrei algumas.
Passo então a contar a história pelas minhas palavras:

Outrora surgiu um gigante na Serra do Marão, que assombrava os moradores da aldeia, principalmente os pastores – o gigante comia os animais de uma só vez. As pessoas da aldeia quase nunca saíam porque tinham medo do gigante. O gigante tinha uma cabeça grande a achatada e tinha um olho enorme no meio da testa. Usava uma barba muito muito longa.

Certo dia, um dos pastores de uma aldeia das montanhas do Marão – a aldeia de Fraldas, resolveu enfrentar o gigante. Muitos foram os que o tentaram desencorajar, mas o pastor não se demoveu do seu objetivo e seguiu pelas montanhas. Não foi preciso andar muito, o gigante não se tardou a aparecer assim que sentiu a presença das ovelhas.

– Tiveste a coragem de me enfrentar, pastor. Ainda bem que o fizeste, ainda não comi hoje e já tenho a barriga a dar voltas – gritou-lhe o gigante do Marão.
O pastor ao ouvir tal coisa, reagiu de imediato:

– Não tenho medo nenhum de ti, monstro. De hoje não passas!
– Maldito, mostra lá então do que és capaz!

Então o pastor resolveu retirar do seu bolso um pedaço de queijo de cabra, mostrando-o ao gigante:

– Vês isto? Este seixo que aqui tenho? – interrogou o pastor, enquanto o espremia com a mão, até sair um líquido amarelo (natural do queijo fresco). O gigante nem queria acreditar.
– Tenta fazer o mesmo – desafiou-o o pastor.

O gigante, incrédulo com o que tinha acabado de ver, pegou de imediato numa pedra e começou a espremê-la com toda a força. Nada aconteceu. Pegou noutra e nada aconteceu. E outra, e outra. Desesperado, acabou por desistir.

– E agora, já tens noção do que eu sou capaz de te fazer? – troçou o pastor.
Agora vamos ver quem atira uma pedra mais longe.

O gigante do Marão foi o primeiro a pegar numa pedra. Atirou-a o mais longe que conseguiu. E foi tão bem sucedido que a pedra foi parar a outra montanha. Satisfeito com o que acabara de fazer, o gigante disse a sorrir:

– Agora é a tua vez, anda lá!

O pastor, mais esperto do que o gigante, tirou de um bolso um pardal e largou-o. O pardal voou para bem longe, tão rápido que foi impossível acompanharem-lhe a viagem.

O gigante, embora espantado, aceitou um desafio do pastor:
– Estás a ver aquele pinheiro? – perguntou, apontando para o pinheiro mais grosso à sua frente – Vamos então ver quem o consegue dobrar.

O gigante aproximou-se do pinheiro e dobrou o pinheiro com toda a sua força. Conseguiu dobrar o pinheiro até que este tocasse no chão. Ao vê-lo, o pastor aproximou-se e disse-lhe:

-Muito bem, agora é a minha vez. Tira as mãos daí.

Sem pensar nas consequências, o gigante assim fez: tirou as mãos do pinheiro e este voltou à sua posição, batendo-lhe com tanta força na cabeça, que o deixou esticado no chão. O pastor correu dali para fora com as suas ovelhas. No seu pensamento surgia “dever cumprido”.

Ao atravessar as montanhas, deu com um grupo de mulheres que lavavam tripas de porco. Aproximou-se delas e fez-lhes um pedido:

– Quando o gigante passar por aqui à minha procura, dizei-lhe que essas são as minhas tripas. Dizei-lhe que eu hei-de voltar para as meter de novo dentro de mim.

O pastor seguiu viagem e o gigante do Marão não se tardou a chegar, embora ainda abananado. Quando perguntou pelo pastor às mulheres, recebeu a mensagem que o pastor lhes tinha deixado.
Ao ouvir o recado, o gigante quis aceitar aquilo como um desafio “Se ele tirou as tripas, então eu também as tiro” E então, com a faca de matar os porcos, abriu a barriga.

E foi esta a sua última ação. Depois disto, o pastor foi glorificado por tamanha coragem e esperteza.

Esta versão da lenda do gigante do Marão foi inspirada na versão que encontrei neste blog.

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Luísa Apancada
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